Quem usa anticoagulante oral precisa de acompanhamento médico?

Receber a indicação de um anticoagulante costuma trazer muitas dúvidas. Depois que o tratamento começa e tudo parece estar bem, é comum pensar:
"Se estou tomando o remédio corretamente, ainda preciso voltar ao médico?"
A resposta, na maioria dos casos, é sim.
Embora os anticoagulantes reduzam o risco de trombose e embolia, o tratamento não termina quando a receita é entregue. O acompanhamento periódico é uma parte importante para garantir que ele continue sendo seguro, eficaz e adequado às necessidades de cada paciente.
O que são os anticoagulantes orais?
Os anticoagulantes são medicamentos que diminuem a capacidade de formação de coágulos no sangue. Eles não "afinam" o sangue, como muitas pessoas costumam dizer, mas reduzem o risco de que novos coágulos se formem.
São utilizados em diversas situações, como:-
trombose venosa profunda (TVP);
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embolia pulmonar;
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fibrilação atrial;
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algumas doenças das válvulas cardíacas;
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prevenção de trombose em situações específicas.
Entre os medicamentos mais utilizados estão:-
varfarina (Marevan®);
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rivaroxabana (Xarelto®);
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apixabana (Eliquis®);
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dabigatrana (Pradaxa®);
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edoxabana (Lixiana®).
Por que o acompanhamento continua sendo importante?
Mesmo quando o tratamento está funcionando bem, algumas condições podem mudar ao longo do tempo.
Durante as consultas, o médico avalia, por exemplo:
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se o anticoagulante continua sendo realmente necessário;
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se a dose permanece adequada;
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se houve algum episódio de sangramento;
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se surgiram novos medicamentos que podem interagir com o anticoagulante;
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se houve alterações na função dos rins ou do fígado;
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se existe necessidade de realizar exames de controle.
Em outras palavras, o acompanhamento não serve apenas para renovar a receita. Ele permite identificar precocemente situações que podem aumentar o risco de trombose ou de sangramento.
Quem usa varfarina precisa de um acompanhamento diferente?
Sim.
A varfarina exige controle periódico do RNI (INR), exame que avalia se o efeito anticoagulante está dentro da faixa desejada.
Quando o RNI fica abaixo do ideal, aumenta o risco de trombose. Quando fica acima, aumenta o risco de sangramento.
Por isso, pacientes em uso de varfarina precisam de acompanhamento mais frequente e ajustes individualizados da dose.
E quem usa rivaroxabana, apixabana ou dabigatrana?
Esses medicamentos, conhecidos como anticoagulantes orais de ação direta (DOACs), não necessitam de controle rotineiro do efeito anticoagulante por exames laboratoriais.
Isso, porém, não significa que o acompanhamento médico deixe de ser necessário.
Mesmo nesses casos, é importante reavaliar periodicamente:-
função renal;
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função hepática;
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peso corporal;
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outros medicamentos em uso;
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ocorrência de sangramentos;
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necessidade de manter a anticoagulação.
O anticoagulante será necessário para sempre?
Depende.
Em algumas situações, como uma trombose provocada por cirurgia ou trauma, o tratamento pode durar apenas alguns meses.
Em outras, como na fibrilação atrial ou em determinados pacientes com tromboses recorrentes, o uso pode ser prolongado ou permanente.
Essa decisão deve ser revista periodicamente, considerando o risco de uma nova trombose e o risco de sangramento.
Antes de cirurgias ou procedimentos, o que fazer?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes.
Nem sempre é necessário suspender o anticoagulante, e quando a suspensão é indicada, ela deve ser planejada de acordo com:-
o tipo de procedimento;
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o risco de sangramento;
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o motivo pelo qual o paciente usa o anticoagulante;
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a função dos rins;
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o medicamento utilizado.
Interromper o tratamento por conta própria pode aumentar o risco de trombose.
Da mesma forma, manter o medicamento quando ele deveria ter sido suspenso pode aumentar o risco de sangramento durante o procedimento.
Por isso, sempre converse com o médico que acompanha sua anticoagulação.
Quando procurar atendimento antes da consulta programada?
Entre em contato com seu médico ou procure atendimento se ocorrer:
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sangramento intenso ou persistente;
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sangue na urina ou nas fezes;
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vômitos com sangue;
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manchas roxas extensas ou frequentes;
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queda importante ou trauma na cabeça;
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necessidade de cirurgia, procedimento odontológico, endoscopia ou colonoscopia;
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início de um novo medicamento prescrito por outro profissional.
Perguntas frequentes
1- Quem usa rivaroxabana precisa fazer exames?
Em geral, não é necessário realizar exames para medir o efeito do medicamento. No entanto, consultas periódicas e avaliação da função renal e hepática continuam sendo importantes.
2- Quem toma apixabana precisa voltar ao médico?
Sim. Mesmo quando o tratamento está estável, o acompanhamento permite reavaliar a indicação do anticoagulante, identificar possíveis interações medicamentosas e orientar situações especiais.
3-Posso suspender o anticoagulante para fazer uma cirurgia?
Não sem orientação médica. A necessidade e o momento da suspensão variam conforme o procedimento e o motivo da anticoagulação.
4-Se estou bem há anos, ainda preciso de acompanhamento?
Sim. As condições de saúde podem mudar ao longo do tempo, e o acompanhamento periódico ajuda a manter o tratamento seguro e adequado.
Na minha prática como hematologista, acompanho pacientes em uso de anticoagulantes orais em diferentes situações, como trombose venosa, embolia pulmonar, fibrilação atrial , próteses valvares e outras condições que exigem anticoagulação. O objetivo desse acompanhamento é garantir que o tratamento permaneça seguro, eficaz e individualizado, orientando também situações especiais, como cirurgias, procedimentos e introdução de novos medicamentos.